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Mauricio, Maximino dos Santos.

sábado, 3 de fevereiro de 2018 | às 03:02

O que lembro da minha infância são as reações que eu tinha diante das pessoas. 
Quando regresso à mente do Mauricio de 1991, é como se nada tivesse mudado, desde os meus primeiros anos. 
E isso é bem claro para mim, pois lembro de ter vergonha (não de timidez) das danças na escola, achar bobinhas as musiquinhas infantis, não me importar com as coisas de criança, especialmente tudo aquilo que vinha pela televisão. 
Eu era, de certa forma, crítico; apesar de brincar, rir, chorar (devo ter chorado algum dia).
O mundo sempre me foi estranho, embora seja homem, hétero, destro, ... enfim, não é disto que eu estou falando. 

Eu estranhava o que era normal, segundo o critério que as próprias pessoas consideravam como normal.

Por exemplo, mentir; não era algo que eu fazia, porque sabia que ninguém achava isso bonito. E por causa da "falta de prática", me tornei insensível em relação a todo um mundo subversivo, ao errado; a tal ponto que duvidava que as pessoas agissem diferente daquilo que elas "achavam bonito".

 Eu era um completo ignorante diante da perversão do que quer que seja.

Por ser assim, recebi muitos nomes e epítetos ligados ao bem; e o mais incrível; as pessoas passaram a me "poupar" de saber o que de facto (ou de fezes) acontecia na vida.

Eu me considerava o mais normal de todos, na verdade achava que estava abaixo da média (talvez por causa dessa ignorância do mal), mas não era assim que as pessoas viam.
Para todos sou um sábio; no estilo buda, sensei, monje, mestre, coisas assim... e isso me foi ponte para aquisição de conhecimento, uma facilidade de aprender absurda!

Minha ignorância era uma benção (coisa que eu também não sabia), o que me levou a ser a criança que fui, o adolescente que fui, o jovem que fui, até começar a compreender, o que era o Reino da Terra e quem eram os humanos.



Não sei se estou me fazendo entender.. 

Sabe aquela coisa dos 10 mandamentos, a ética filosófica, a ecologia, o domínio próprio, a paz com todos e com si mesmo? Tudo aquilo que as pessoas passam a vida buscando ou ao menos achando que é bonito? 
Já estava aqui comigo; sem querer, involuntário. "Natural".

Mesmo assim, houve um tempo que me pus a conhecer as coisas que me foram segregadas, a fim de saber fazer o mal de propósito e identificá-lo. 
Confesso que ao "conhecer" o mal, me senti frustrado, pensei no tanto de oportunidades perdidas, no tempo perdido, ...

- "Você não perdeu nada" - me disseram certa vez (infelizmente não lembro quem foi, mas poderia ser qualquer um).

Minha facilidade de aprendizado e a vontade pulsante pelo conhecimento (da árvore do Jardim) me mostraram o mundo e as pessoas.
Por vezes flertei com o poder que descobrira, mas não me precipitei (se jogar).
Minha sorte (no sentido de destino) é que eu entendi que toda aquela dádiva era justamente o que me trazia paz, amor[es], ciência de si, ...

Tive medo! Tenho medo.

No colo de Deus é seguro, é.., é tudo! 

O fruto do conhecimento tirou de mim a inocência involuntária. 

Hoje, confesso, que tenho que fazer tudo de propósito.
Às vezes é quase artístico (técnico).

Aos 30 anos, não sou exclusivamente sabedoria ou unicamente conhecimento.
Sou algo fora da dimensão das dualidades
Yin-Yang
O-hn

Também não sou o nada, puramente ignorância.

Sou plenamente eu
Realizado em tudo.

Impossível nomear.



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