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Não fui um pervertido!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012 | às 20:20

"A expectativa moral determina a função que uma pessoa vai exercer em um dado contexto. Isto é, eu sou aquele que deve agir segundo um padrão exterior a mim e distinto da minha vontade.

(..)

[A "lógica do mundo" nos ensina a construir um] discurso favorável sobre nós mesmos para os outros (para agradar gregos e troianos). Por isso, quando possível, nos fazemos parecer "desinteressados": Como se fossemos pessoas e/ou empresas que trabalham para o bem da sociedade, desprovidos de desejos egoístas.

Afinal, quem gostaria de participar de um grupo egocêntrico?
Quem compraria produtos de um sujeito que só se interessa pelo lucro?
 Quem confiaria sua vida e recursos a alguém que se relaciona para auferir vantagens e cobrar favores?

(..)

Esse discurso do desinteresse, da moral "higienizada" de desejos, é uma perversão!

Os homens são movidos por desejos e emoções imperativas alheias à um padrão. Tudo o que fazemos é interessado. Nem o mais louco, ou mais sábio, escapa. 

Temos interesse sim!

A todo instante. 

Só não vê quem não quer!



"Como a garota que reclama com o pai sobre o ex-amigo; que foi seu ombro por anos, escutou barbaridades, ficou horas no telefone, deu apoio às suas tristezas.. Mas a beijou enquanto conversavam escondidos.
Dizer que amigos não devem desejar ou ter interesses é uma atitude mais condenável do que se aproveitar de um laço de amizade para beijar a boca amada."
(Packter, Lúcio. Revista Filosofia, 2009)

(..)

Toda pessoa ou empresa que comunica uma posição moral de "desinteresse", esconde atitudes reprováveis. Justo é, ao nos definirmos em um dado momento, comunicar nossos interesses claramente. 

Se desejamos a confiança de alguém, precisamos deixar claro o que exatamente queremos dele. Partir do pressuposto de que, quando duas pessoas se relacionam, ambas são plenamente interessadas uma na outra.

(FILHO, Clóvis de Barros. A moral do desinteresse. pp 72-73. Filosofia Ciência e Vida. Ed. Escala, 2012)


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